Goodbye, so long…

19/07/2010 at 11:19 pm (eu diria, Se tivesse coragem)

Se antes eu cheguei a achar que me afastar, ou te afastar, fosse o melhor, hoje eu tenho plena certeza sobre isso. Se antes eu sentia falta, achava que era capaz de conciliar o que eu sentia com o que acabou e conviver como se nada tivesse acontecido, hoje eu sei que cada palavra sua, cada tentativa de ser simpático ou de “descobrir” como eu estou me sentido em relação à você só vai me irritar ainda mais.

Um ano depois, buscando forças no fundo do meu peito, em meio a tantas lágrimas contidas, eu soube a verdade. Se eu soubesse, se eu tivesse tido coragem antes, coragem para fazer uma simples pergunta que esclareceu todos os pontos de interrogação que eu carreguei nas costas por um ano…

Triste saber que mais do que nunca, eu estava certa. Eu não esperava isso de você. Pior, eu não esperava isso de ninguém. E se lhe serve de conselho: na próxima oportunidade escolha uma vadiazinha qualquer, não quem sempre esteve ao seu lado.

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344

10/07/2010 at 11:39 pm (Fato)

Quase um ano depois, exatos 344 dias e eu de volta, ali. Lembrando com perfeita clareza, como se fosse apenas espectadora de um filme, assistindo uma cena sem fazer parte dela.

Deitada na sua cama, tentando não te observar, você ali, sentado tão perto de mim e trazendo o passado para ainda mais perto. Pude reviver o fim, o penúltimo abraço, a última vez que sua mão procurou pela minha, a última vez que eu estive ali.

Dez horas ao seu lado só fizeram doer mais os 344 dias longe. Eu ri, mas o coração apertou, eu te confortei, mas a vontade de te oferecer carinho ia muito mais longe. Dez horas revivendo e assistindo ironias, uma atrás da outra.

A viagem que não aconteceu, a mesma viagem que perdemos naquele último dia. Os bombons que você deixou de me dar, aqueles que você fez questão de separar na caixa e me dar hoje. O recheio, do seu bombom, só por saber que é minha parte preferida.

A ida ao cinema, eu e você, de novo, outro desenho. Outras pessoas, eu e você. A vontade de poder me aconchegar no seu ombro como sempre pude fazer.

A  espaço entre os meus dedos esperando pelo encaixe dos seus, mesmo sabendo que como em nosso último passeio no parque, eu continuaria apenas esperando por isso.

O açaí, no mesmo lugar do último dia que nos vimos. Revivendo tudo em um dia só.

E pior do que reviver o passado sem tê-lo por completo, pior do que assistir ironias, foi enxergar a verdade, por finalmente poder te ver, te olhar, te enxergar: Eu mudei, mas o sentimento continua o mesmo. Você continua o mesmo e seu sentimento também. Oposto ao meu.

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Tato

12/05/2010 at 1:01 am (Fato)

Tease me, by holding out your hand
Then leave me“.
Stigmatized – The Calling

Uma quadra, uma arquibancada, um ombro, um encosto perfeito. Um suporte perfeito.

Um antebraço, perfeito. Minha mania de percorrer o dedo por ele, sentindo suas veias. Talvez a mania que mais me faça falta.

O dedo que gentilmente limpa meu rosto cheios de lágrimas.

Os braços, o abraço e o peito para que eu possa recostar. O rosto próximo ao meu cabelo, o suspirar, o inspirar sentindo o meu cheiro.

Uma mão, o entrelaçar de dedos. Uma mão localizada na cintura me deixando passar.

Uma mão, segurando a minha, pela última vez. Uma mão me avisando que aquela seria a última vez que a sua mão procuraria pela minha.

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Exceção

12/04/2010 at 1:32 am (confesso, Fato)

“You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
“.
The Only Excpection – Paramore

É difícil ter lembranças.

São aquelas situações do passado nas quais eu já tinha parado de pensar constantemente. Lembranças boas que fazem doer. Vão das coisas mais bestas, como mensagens no celular, às mais tensas, como os pedidos de casamento diários.

O passeio na 25 de março, a (não?)-inocente mão na cintura, o cinema e o melhor ombro pra descansar, a forma como sempre me chamou, os presentes inesperados e como se desesperava ao me ver chorar.

As besteiras que me faziam rir, mais ainda quando eu chorava, a companhia na minha entrevista para meu tão sonhado emprego…quase um ano atrás!

E essas lembranças que me fazem chorar, que me incomodam ao assumir para mim mesma que sinto sua falta, que sinto falta do amigo, que sinto falta do amor, que sinto falta dos dois, me fazem pensar.

E nesse muito pensar eu me dei conta de que eu sempre te suportei. Fosse realmente estando ao seu lado em meio à alguma dificuldade, fosse aceitando você, todos esses anos, assim.

Eu me dei conta de que nada, em você, nunca, me incomodou. E isso me assusta. Talvez seja por isso que durante 6 longos anos nós nunca brigamos ou discutimos. Eu percebi que você foi e é a única pessoa com quem eu sou capaz de passar um dia, dois dias,  todos os dias, sem  me cansar, sem conflitos, sem querer “paz”, ficar um pouco sozinha.

Eu percebi que entre todas as pessoas  que eu conheço/conheci/convivo, você é a única com quem eu moraria. Como roommates, você é o único que não me levaria à loucura,  com quem eu não me importaria de olhar para a cara de sono, tomando café, todas as manhãs.

E eu gostaria de não lembrar de todas essas coisas (e tantas outras) e eu gostaria de não ter me dado conta de tudo isso. Porque isso me dá medo.

Eu descobri que a única pessoa que eu gostaria de ter ao meu lado, seja como fosse, pro resto da vida, não é a pessoa com quem eu vou fazer isso. E eu não consigo me imaginar conhecendo outro alguém tão bem quanto eu te conheço e o quanto você me conhece e não me incomodar com nada, e conviver sem conflitos sempre e querer ao meu lado sempre também.

Eu não acredito que eu consiga sentir por alguém algo que eu levei 6 anos construindo com você e que ninguém jamais foi capaz de construir em mim.

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Incondicional

07/03/2010 at 8:28 pm (confesso, Fato)

Eu achava que sabia o que é sentir um amor incondicional, achava que entendia e até que sentia esse tipo de amor.

É difícil não ter um amor incondicional pela pessoa que te deu à luz, quem te criou, quem você chama de família.

É difícil não confundir um amor juvenil com esse sentimento, não dizendo  que esse amor de adolescência não seja verdadeiro, mas  só vamos saber quanto O amor é diferente quando finalmente passarmos a sentí-lo. Hoje eu sei o que um amor incondicional causa dentro de alguém, como ele é forte, como ele realmente supera à tudo.

Cinco anos atrás, postei em um dos meus primeiros blogs a seguinte  frase: “I may not be the one you wished for, but you’ll never find someone that can love you like I do…incondicionally!” (Eu posso não ser quem você sonhou, mas você nunca encontrará alguém que o amo como eu…incondicionalmente!). A quem essa frase foi escrita, não, não deixei de amá-lo de lá para cá, sempre digo “é sempre amor, mesmo que mude”, mas  sei também que nós dois mudamos e isso mudou o que eu sentia. Aos 15 anos  eu achava que aquilo era um amor incondicional e eu sei que não era. Hoje, eu sei.

Há menos de um ano eu provei a mudança de um amor, de um amor de anos, de um amor assim, dentro de mim. E por mais que os dias, as semanas, os meses, passem, esse amor, não.

Sou realista e madura suficiente para reconhecer quando uma situação não tem volta, assim como o que eu vivi, o que levou ao fim, também não tem.

Ainda assim, hoje eu posso dizer que tenho vivo o amor mais sincero e incondicional, aquele que continua amando mesmo depois da dor, que quer, acima de quase tudo, ver a outra pessoa feliz, torcendo para que no meio do caminho essa pessoa encontre alguém que a faça feliz da forma que você não foi capaz de fazer. Aquele que sente saudades, mesmo quando dói e que tem a dor porque as coisas boas não são ignoradas por conta das ruins.

Amor incondicional é, depois de anos, sentir a mesma sensação, o mesmo sentimento, de tantos anos que não voltam mais.

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Fraqueza

10/02/2010 at 7:15 pm (confesso, eu diria)

“I’m looking at you from another point of view
I don’t know how the hell I fell in love with you
I’d never wish for anyone to feel the way I do”

Mc Fly – Point of View

Eu falhei, falhei comigo, falhei no que eu havia decidido pra mim. Eu menti, me enganei. E as circunstâncias me ajudaram a me auto-enganar.

Eu achei que suas palavras não tinham mais poder sobre mim, que desde o dia 27 de dezembro eu era alguém mais forte do que alguém que se deixa derrubar por palavras. E eu não sou. Eu sou fraca. E sim, seu silêncio era o melhor pra mim.

Quando eu disse isso me fez sentido, quando você disse, doeu e ao ler você se dirigir a mim de novo dói mais ainda. Me dá a mínima sensação de que algo ainda importa, que ao escrever “Por mais que tudo já possa ter mudado, nada igual, não deixei de amar esta amizade, não deixei de amar você, Gorda” isso volta a ser  verdade, caso tenha sido verdadeiro como hoje  já não acho que foi.

Você não tem mais esse direito. Nunca teve, por mais que eu deixasse você me afetar. Você dizer se sentir culpado me incomoda, me dói e me faz bem, porque a minha dor não tem fim.

É como dizem, “O tempo não cura tudo, aliás o tempo não cura nada, o tempo apenas desloca o incurável do centro das atenções.” E foi dessa forma que eu vivi o último mês e 10 dias. Eu segui em frente, eu busquei acreditar em alguém de novo, eu ignorei a dor, eu deixei a mínima sensação boa que eu voltei a sentir ser maior do que isso, mesmo que talvez não seja, mesmo que seja apenas uma reprise com novos protagonistas.

E com apenas um e-mail eu voltei a ser a pessoa que digita textos  e chora palavras, a menina que acha que a dor por sua causa nunca vai passar. E eu me sinto ainda pior, pior por ter chorado hoje, por ter me deixado vencer por palavras, as suas palavras. Voltei para um dia em que se fico sozinha, se fico sem falar com alguém sou dominada pelo situação mais ridícula visualmente, meus olhos cheios d’água. Sozinha.

E eu não consigo falar com você, mesmo que você diga que não espera uma resposta, uma reação, eu não consigo dizer nada depois de tudo que aconteceu e o nada que se seguiu. Assumir que eu aprendi a te amar durante anos e que esse é o motivo pelo qual aceitar tudo isso seja tão doloroso. Todos, qualquer pessoa, menos você. Talvez, te falar a verdade só fosse fazê-la doer ainda mais em mim.

E já basta eu não ser forte suficiente e deixar você fazer doer, eu não quero ser a culpada, por mais que a fraqueza seja minha. Por mais que minha fraqueza seja você.

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Promessas

10/02/2010 at 12:29 am (eu diria, Fato)

“They knew better,
Still you said forever
And ever, Who knew”

Who Knew – Pink!

Um amigo meu, que também escreve, quando leu o “Estrago” me disse algo que doeu, talvez mais do que ter escrito aquele texto ou relê-lo, era algo como:

“Você não pode culpá-lo, você escolheu tudo isso, talvez não o sofrimento, mas acreditar que o que ele dizia era verdade. Promessas são momentâneas, duram apenas o momento em que estão sendo ditas, porque mudamos constatemente.”

Ok, o erro foi meu mesmo, mas ainda assim não aceito tomar para mim a culpa do erro dos outros.

Se promessas são momentâneas? Eu diria que não. Meu pai prometeu amar e respeitar minha mãe até que a morte os separe. Minha mãe prometeu amar e respeitar meu pai até que a morte os separe. E enquanto eu termino esse texto, quase meia noite, chega ao fim o dia em que eles completam 25 anos cumprindo essa promessa. E não só pelo (com)”prometimento”, mas porque aprenderam a serem felizes a partir disso.

Promessas são duradoras e eternas se assim você as fizer.

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Sonhos

04/02/2010 at 1:58 pm (confesso, Fato)

“What you are is a daydream
I’ll never get to hold”

Stay Beautiful – Taylor Swift

Quando era criança enxergava a idéia do “sonho” de duas formas distintas:

1. Aquilo que se passava na minha cabeça enquanto eu dormia;
2. Aquilo que eu queria conseguir na minha vida e torcia para dar certo.

Ultimamente essa palavra ganhou outra definição, algo que, lá no fundo, significa até mais  do que as duas formas de vê-la acima, por mais que elas continuem sendo verdade pra mim.

É, de certa forma, uma mistura de 1+2 = 3. Hoje eu sonho acordada. É uma junção de memória fotográfica, mente fértil, sonhos adormecidos e aquilo que eu busco acordada. É difícil explicar o que é, como é, só sei que é mais forte do que eu, quando vejo estou lá, não só pensando, mas vendo. Nitidamente. As mais variáveis situações, menos possíveis e que eu faria tudo para tê-las ou esquecê-las.

Uma vez me perguntaram:  “Realidade com pitadas de imaginação”, prefere que a vida seja assim ou só a realidade lhe basta? E hoje eu não sei. Se o que eu imagino fizesse parte da minha realidade, talvez minha felicidade fosse maior. Por outro lado, ter esses sonhos interferindo no meu dia-a-dia, lembrando-me que não passam de sonhos acaba doendo.

Acho que todo sonho pode ser atingido se fizermos tudo que está ao nosso alcanse, se trouxermos pra realidade a possibilidade de ele acontecer, por mais que “sonho” ainda pareça apenas aquilo que acaba quando toca o despertador pela manhã. Eu só preciso descobrir como faço isso com os que fazem parte da categoria 3.

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Não, não são alucinações quando eu digo que “vejo” as situações,
é tudo na minha cabeça mesmo, tão real e tão distante.

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Carinho

27/01/2010 at 6:41 pm (confesso)

A forma diferente de mostrar que se importa.
Conversar quando o outro está triste.
Buscar melhorar as coisas, por mais distante
que sua capacidade de fazer isso por outro esteja.

O entrelaçar de dedos. Dar as mãos.
Aquela sensação de conforto. De segurança.
A certeza, talvez apenas momentânea, de que aquilo é certo.
A falta de qualquer dúvida sobre os próximos segundos ali.

Aquele abraço.
Pronto para recolher as lágrimas na camisa.
Ou aconchegar um sorriso.
O abraço que traz consigo muito mais
do que alguém que não faz parte dele possa entender.

A simples necessidade eterna de demonstrar todo sentimento.

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Texto sobre ninguém, a não ser eu mesma.

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O encontro

14/01/2010 at 5:07 pm (Se tivesse coragem)

“A vida é a arte do encontro,
embora haja tanto desencontro
pela vida.”

Vinícius de Moraes

Em meio a um abraço desajeitado e silencioso ela disse:

– Oi – e sorriu.

Ele sorriu de volta com o canto da boca. Voltaram a ficar em silêncio. Ele sugeriu que caminhassem um pouco.

Lado a lado eles seguiram  calmamente pela avenida, conversando besteiras e tentando fingir que aquele momento era apenas mais um, como outro qualquer, mesmo os dois sabendo que não.

Em meio ao balanço natural dos braços eles sentiam suas mãos se  tocarem e ela, branquinha, ficava levemente corada a cada toque. Mas nenhum dos dois se propunha a segurar a mão do outro nem tão pouco se afastar para que os choques deixassem de acontecer pelo caminho.

Sentaram-se em um banco e ficaram em silêncio. Ambos assistindo a movimentada avenida e ao mesmo tempo perdidos em seus pensamentos e mundos interiores.

Ele perguntou o que ela estava pensando, ela hesitou, mas sabia que a melhor resposta seria a resposta verdadeira, levemente desviando o olhar ela disse:

– Eu sonhei com isso, assim. Por dias, logo no começo. Mas depois os sonhos deixaram de existir e eu achei que era para que a minha vontade de que os sonhos se tornassem reais deixasse de existir também. Como um aviso.

Ele a olhava, enquanto ela fitava o chão. Ele ficou pensando em como devia ter sido difícil para ela assumir aquilo, assumir que tanto tempo antes ele tinha feito parte dos sonhos dela:

– Eu também sonhei. Sonhei que um dia eu ia te pedir algo e você diria sim com um sorriso nos lábios.

Ela não sabia se esperava ele completar ou se perguntava qual era o pedido. Escolheu por se manter em silêncio. Ele se sentou um pouco mais perto dela e ainda assim ela buscava não olhá-lo, até que ele disse, estendendo a mão em sua direção:

– Você me daria a honra de segurar sua mão?

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* Texto meio real, meio inventado. Meio realidade, meio sonho.

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